O pagode ganhou espaço de destaque no quarto dia do Rock in Rio 2026 com a apresentação de Belo, que retornou ao festival trazendo alguns dos maiores sucessos de sua carreira.
O cantor se apresentou no Espaço Favela nesta segunda-feira (7), em uma programação que também tinha nomes como Elton John, Gilberto Gil, Péricles e Roupa Nova.
Mesmo ocupando um palco menor do que o Palco Mundo, Belo encontrou um espaço cheio e um público disposto a cantar músicas que marcaram diferentes fases do pagode romântico brasileiro.
A apresentação teve aproximadamente 52 minutos e começou com um de seus grandes sucessos, “Perfume”.
O repertório seguiu explorando a característica que acompanha Belo desde sua passagem pelo Soweto: letras românticas, melodias facilmente reconhecidas e forte participação dos fãs.
A presença do cantor também reacendeu uma discussão que já vem acontecendo dentro do próprio Rock in Rio: o espaço ocupado pelo samba e pelo pagode na programação principal do festival.
Nos últimos anos, o evento ampliou a presença de estilos que tradicionalmente não eram associados ao nome Rock in Rio.
Funk, sertanejo, samba, pagode, música eletrônica, rap e K-pop passaram a ocupar diferentes palcos.
Antes da apresentação, Belo revelou que já conversou com representantes do festival sobre a possibilidade de o pagode chegar futuramente ao Palco Mundo.
Apesar disso, o artista afirmou estar confortável no Espaço Favela e destacou o significado que aquele palco possui para sua trajetória e para o público que representa.
A relação de Belo com a periferia e com a história do pagode faz com que o Espaço Favela tenha um valor que vai além do tamanho físico do palco.
O crescimento do gênero dentro de grandes eventos também reflete uma transformação mais ampla do mercado musical.
Por muitos anos, festivais brasileiros foram organizados principalmente em torno do rock e da música pop internacional. Hoje, as programações procuram representar de maneira mais ampla aquilo que o público efetivamente escuta.
O Rock in Rio já havia aumentado significativamente a participação do samba e do pagode em edições anteriores, especialmente com a criação de programações dedicadas à música brasileira.
A apresentação de Belo reforçou essa mudança.
Mesmo dividindo a noite com algumas das maiores lendas da música mundial, o cantor conseguiu transformar seu espaço em uma grande roda de pagode e mostrou a força popular do gênero.
A discussão sobre uma futura presença do pagode no Palco Mundo permanece aberta, mas o público desta edição deixou claro que o gênero já possui dimensão suficiente para ocupar posição importante entre as atrações de um dos maiores festivais do país.
