Bombardeios atingiram Kiev e território russo poucas horas depois de reuniões diplomáticas envolvendo enviados americanos
A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a registrar uma sequência de ataques aéreos nesta terça-feira (8), mostrando a dificuldade de reduzir as hostilidades mesmo enquanto novas iniciativas diplomáticas tentam abrir caminho para um acordo.
A Rússia lançou uma ofensiva com mísseis e drones contra Kiev, capital da Ucrânia, poucas horas depois da passagem de enviados americanos que participaram de discussões relacionadas a uma possível negociação para interromper o conflito.
De acordo com autoridades ucranianas, pelo menos duas pessoas morreram e outras dez ficaram feridas. Os ataques também provocaram incêndios e danos em edifícios residenciais.
Do outro lado da fronteira, autoridades russas afirmaram que drones enviados pela Ucrânia atingiram a região de Saratov, onde existem instalações industriais, militares e uma importante refinaria.
O novo ciclo de ataques aconteceu justamente enquanto Estados Unidos, Rússia e Ucrânia mantêm contatos buscando alternativas para uma eventual negociação.
Os representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram envolvidos recentemente em reuniões dentro desse esforço diplomático.
A dificuldade é que as conversas acontecem paralelamente às operações militares.
Nenhum dos lados demonstrou disposição de interromper completamente suas ações enquanto as condições de um possível acordo permanecem indefinidas.
A situação preocupa outros países europeus. A Polônia, que faz fronteira com a Ucrânia, chegou a ativar operações aéreas preventivas diante da intensificação dos ataques.
O Reino Unido também anunciou novas medidas de apoio à defesa ucraniana.
Ao longo dos últimos anos, a guerra passou por diferentes momentos de avanço e estagnação, mas drones e mísseis ganharam protagonismo crescente.
Esse tipo de armamento permite ataques muito além das linhas tradicionais de combate e tem aumentado o risco para cidades e infraestruturas distantes da zona de confronto direto.
Incidentes envolvendo drones também vêm sendo registrados em outros países europeus.
Ao menos 20 países da Europa já tiveram episódios relacionados à presença ou queda de drones desde a intensificação desse tipo de operação, elevando as preocupações dentro da Otan.
Apesar dos esforços diplomáticos recentes, os ataques desta semana demonstram que ainda existe uma distância significativa entre iniciar uma negociação e conseguir estabelecer um cessar-fogo efetivo.
Enquanto não houver entendimento sobre questões territoriais, segurança e garantias internacionais, o conflito continua apresentando risco de novas escaladas.
